Duvido que alguém vá ler, então estou postando só por postar mesmo...
Ou melhor, por recomendação...
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Poderia falar sobre várias coisas que aconteceram em 1977, como a explosão do
Punk, a decadência do
Rock Progressivo, a eleição de
Jimmy Carter, a morte de
Elvis (morte? haha), a morte de
José Carlos Pace, a morte de
Clarice Lispector, ou a morte do mestre
Chaplin.
Ainda em 1977, poderia falar sobre o primeiro filme da saga "
Star Wars", ou até mesmo sobre o ônibus espacial
Voyage 2.
Mas, não. Decido aqui falar sobre o filme mais bizarro que já vi.
Trata-se do primeiro grande filme de
David Lynch, o surrealista "
Eraserhead".

Confesso que o conheci devido a banda
Pixies, que, em algum de seus shows, decidem cantar uma música que aparece no filme.
O filme é a respeito do personagem Henry Spencer (Jack Nance) e sua (ex)namorada, Mary X (Charlotte Stewart). Ou mais ou menos.
Henry voltava do trabalho (em alguma zona industrial estranha) para seu apartamento, quando é avisado por sua vizinha safada que uma mulher chamada Mary queria falar com ele.
Eis que Henry procura Mary e vai jantar com ela e seus pais. Depois de um jantar no mínimo estranho, Mary conta-lhe que eles têm um filho. Mas não um filho qualquer, um mutante.

Os dois vão morar juntos para cuidar do bebê mutante, quando Mary já não aguenta mais a choradeira do pobre coitado (não é a única, creio eu) e abandona Henry só com o filho.
A partir daí, o filme fica ainda mais estranho. Começam aparecer personagens que de nada tem a ver com a estória, inclusive a filha do diretor. Dentre os personagens destacam-se um operador de uma máquina de lápis e a "Lady In The Radiator".
Ah! A "Lady In The Radiator"! Graças a ela que conheci este filme. Em uma parte ela começa a cantar "In heaven everything is fine / you got your good things / and I\'ve got mine / In heaven everything is fine / you got your good things / and you got mine". Pois trata-se desta canção que os Pixies tocaram e que me fez ir atras do filme.

Entre outras coisas do filme, destaco a cena do jantar de Henry com a família de Mary, e mais destaque ainda para a avó de tal. Ela faz uma ótima participação como apoio para salada, mal se movendo. E ainda tem tempo para fumar um cigarrinho!
Destaco também os poucos diálogos, e as enrolações de Lynch no começo, com Henry andando pela zona industrial e também esperando a porta do elevador fechar.
O filme foi bastante influente por aí e se tornou um
cult classic.
Stanley Kubrick (um de meus diretores favoritos, se não o favorito) dizia que este era um dos seus favoritos, e, antes de começar as produções de "
O Iluminado",
Kubrick passou o filme para o elenco, para dar uma noção de como ele os queriam no filme.
Foi graças a este filme que
Mel Brooks (outro ótimo cara, que dirigiu o filme de comédia que mais gosto) convidou
Lynch para dirigir "
Elephant Man".
Além dos
Pixies, outras bandas que gravaram a música "
In Heaven" foram o
Bauhaus e
Devo (além de outras). O
Moddest Mouse pegou as linhas da música para "
Workin\' on Leavin\' the Livin\'". Os
headbangers do
Pantera usaram a cena da mulher cantando como introdução de seus shows.
Até mesmo os
Dead Kennedys reverenciaram a música, em "
Too Drunk To Fuck". Os
proggers do
Rush também fazem uma reverencia no vídeo de "
Limelight", onde da para se ver um poster do filme. O
Mars Volta é outra banda que citou o filme como influência.
Ah, não tentem achar o filme em locadoras, pois ele nunca foi lançado neste
País Tropical...