Eu ñ sei se é meio ortodoxo demais dizer "gótico real está morto" etc.
São mutações que ocorrem, mas creio que muitas questões do fundamento principal permanecem nas pessoas.
Tipo, rock não é mais só Beatles, vai de Iron Maden a Los Hermanos passando por Keane!
Eu acho que não sei muito sobre a cultura gótica crua, e digamos que eu ache The Cure e Joy Division com um som um pouco alegrinho até! Pra mim a questão tá mais nas letras, não necessariamente essa exaltação européia de lendas e miragens (por causa do romantismo), mas a questão de que a vida é um sofrimento.
Eu, particularmente, simpatizo com a coisa mais sad, porque me parece que eles sempre falam a verdade.
Sabe aquele "show me the shadow where true meaning lies - so much more dismay in empty eyes"? Pois é, qualquer um que me diga isso é um "apreciador de trevas" digamos, e tb muitas pessoas hoje mesmo vestindo, sei lá, rosa podem dizer "here in the darkness I know myself - always find my place among the ashes".
Por isso que pra mim é isso, um neogoticismo, mas não quer dizer que seja falso. É que eu acho que hoje a sociedade tá muito mais consciente da tristeza do mundo e da depressão que é viver o capitalismo (entendem, é toda uma atmosfera de percepção que começou com alguns nos anos 80 e tomou forma mais geral hoje, mas não quer dizer que seja poser).
Pra mim quem diz que não sofre é retardado e cego. Quanto à questão particular de gostar de ouvir sobre tristeza (a área individual comum, porque francamente todos sentem a mesma tristeza) é porque gosto de ouvir a verdade; quem entende seu sofrimento se conhece (meta filosófica) e portanto não tem mais razão de mentir.
A sonoridade (lírico, igreja, clássico) é algo que irremediavelmente toca a alma, não sendo característica só do gótico.
Acho que é isso <!-- s:) -->

<!-- s:) --> mas é só minha opinião, espero ñ ter falado bosta
