Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar, de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.
Lolita foi escrito em 1955 por Vladimir Nabokov - apesar de russo, ele escreveu em inglês, se não me engano por estar exilado. Anos mais tarde publicou a versão russa do romance.
Lolita são as memórias de um homem na prisão, cujo pseudônimo é Humbert Humbert. Conta como ele se tornou obcecado - e de certa forma, uma forma BEM DOENTE, se querem a minha opinião, apaixonado - por uma menina de doze anos, a Dolores, e tudo que fez a ela e por ela até o dia de sua morte, onde o livro termina.
Claro, é tudo ficção. Mas é perfeitamente palpável e tem horas que tu tem que ler a nota do autor pra se convencer de que nada daquilo aconteceu. É muito bem feito, muito bem construído, com direito até a um prefácio escrito por um policial (ou psiquiatra, não me lembro), tratando da história como verídica. E, acima de tudo, é lindo. Por mais que tu te tape de nojo de ver aquele tiozão violentando uma guriazinha.
Apesar de nossas brigas, apesar de sua má-criação, apesar das exigências e caretas que ela fazia, sem falar na vulgaridade, no perigo e na horrível desesperança de tudo aquilo, eu ainda residia no paraíso de minha escolha, um paraíso cujo céu tinha a cor das chamas do inferno, mas ainda assim um paraíso.