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Os Sete Minutos, de Irving Wallace. Sinopse: "
Pode um livro sobre sexo ser o responsável pela conduta criminosa de alguém? Considerado obsceno e citado no Index
da Igreja Católica por descrever com realismo as sensações de uma mulher durante o ato sexual, um obscuro romance - de autoria do desconhecido J J Jadway - provoca escândalo quando acusado de incitar um jovem a cometer estupro. Irving Wallace, mestre da ficção contemporânea, cria neste best seller uma trama de suspense, que relata a feroz batalha entre a censura e a liberdade de expressão, abordando corajosamente temas controvertidos como erotismo e pornografia."
Bom, antes de me acharem uma criatura pervertida, deixem-me explicar:
Os Sete Minutos é um livro dentro de outro livro. Ben Fremont é um pacato livreiro proprietário do Empório Fremont que, inocentemente, tem à venda na sua livraria exemplares de "Os Sete Minutos", do misterioso autor JJ Jadway. Segundo o artigo 311 do Código Penal do Estado da Califórnia, o referido livro é passível de ser considerado "material obsceno", logo, atentador contra a moral e os bons costumes de toda a população, exposta à devassa supostamente literária de um "tarado sexual" que resolveu escrever os devaneios que lhe cruzavam a cabeça em noites de provável insônia. Como agravante, existe um caso de alegada violação e conseqüente homicídio de uma jovem, Sheri Moore, crimes supostamente incitados pela leitura do dito "material obsceno" - versão confirmada, sob juramento, pelo próprio alegado violador e homicida, Jerry Grifith.
Do lado da acusação está o promotor público Elmo Duncan, e sua respectiva comitiva de implacáveis, protegidos pelas forças poderosas que zelam pela moral da população. Pela defesa, alinha o advogado Michael Barrett, secundado pelo seu sócio Abe Zelkin.
Expostos os argumentos e respectivos defensores, temos que Irving Wallace leva a julgamento não um livreiro, nem um escritor ou mesmo o próprio livro, mas antes toda a liberdade de expressão, sendo que, neste caso, se trata de expressão artística, sob a forma da literatura.
Pertence ao juiz Underwood e aos jurados californianos decidir sobre a (i)legitimidade da exposição de tal escrito ao público, isto é, se, de acordo com "a opinião predominante" da população, existe alguma utilidade na impressão e comercialização da obra.
O que Wallace pretende verdadeiramente julgar a partir da expressão "opinião predominante" é a legitimidade da censura e da imposição de um padrão de normalidade como prática obrigatória a todo um grupo, a toda a sociedade. Poderá submeter-se a arte à avaliação segundo critérios democráticos? Deverá uma obra ser sujeita a sufrágio para que possa ser considerada "arte"? Indo mais longe: deverá o artista, enquanto criador, ser condicionado pelos padrões morais de uma sociedade?
Irving Wallace cria uma intriga consistente para expor o seu ponto de vista, obtendo um romance bem escrito, extremamente cinematográfico e cheio de ritmo. Mas, por detrás desta ficção bem enredada, existe um manifesto de um escritor pela sua própria liberdade de criação. "Os Sete Minutos" é a sua obra mais polémica e encontra-se presentemente esgotada em Portugal. -- Crítica de
Diego Armés dos SantosO livro é muito bom. Tenho ele em minha casa desde 1986 (sim, ele é mais velho que eu) e só agora me interessei por lê-lo. É ótimo pra quem gosta daquelas histórias de tribunal e tudo mais. Agrada também a quase todos os tipos: o livro apresenta ação, romance, suspense etc. Já estou na parte do julgamento e não vejo a hora de saber como Barrett vai se livrar dessa!